
«... o espaço organizado, coerente, estruturado, significante, do quadro será recortado, não apenas em elementos inertes, amorfos, pobres de significado e de informação mas em elementos falsificados, portadores de falsas informações: dois fragmentos de cornijas que se encaixam exactamente quando na realidade pertencem a duas partes muito afastadas do tecto, a fivela do cinto de um uniforme que à última da hora se verifica ser uma peça de metal que segura um tocheiro, várias peças recortadas de forma quase idêntica pertencentes, uma a uma laranjeira anã colocada em cima de um fogão de sala, outras ao reflexo ligeiramente embaciado num espelho, são exemplos clássicos das ciladas que os amadores encontram.»
A Vida modo de usar, Georges Perec
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