

DEAD MAN
Jim Jarmusch, USA, 1995. 124 minutos.
Um acid western visionário, “a perfect drama”, com lhe chamou o crítico do New York Times Greil Marcus, é uma obra que não merece a sorte que teve, pois foi criticada em Cannes e esquecida rapidamente, tendo-se tornado um filme de culto para alguns.
Situando-se num limbo entre a vida e a morte, traça um percurso de febre e de delírio, marcado pelo jejum e pelas visões, uma jornada ao Inferno, onde não faltam sequer as referências à Alice de Lewis Carrol (“atravessar outra vez o espelho”), à mitologia clássica (a barca do excêntrico índio Nobody, que transporta Blake para a outra margem, comparável à barca de Caronte) e ao visionário poeta e pintor inglês William Blake.
Claramente influenciado por Mizoguchi, e fotografado num maravilhoso e suculento preto e branco, iluminado pela banda sonora de Neil Young, com os seus sons pungentes de guitarra eléctrica, que ajudam a realçar o ambiente quase hipnótico, este filme traça a viagem iniciática de William Blake (Johnny Depp, cujo rosto domina o filme em grandes planos), um contabilista orfão de Lake Erie, Cleveland, que viaja para uma cidade de fronteira curiosamente chamada Machine, no final do século XIX. Jarmusch dá-nos a visão de uma nova América industrializada, selvagem, cheia de violência e racismo. Blake é perseguido por três assassinos, um deles um canibal que dorme com o seu “teddy bear”. Trata-se ao mesmo tempo de um filme cheio de humor… negro, e de dramatismo, com interpretações de algumas das lendas do western americano, como Robert Mitchum e John Hurt, e a aparição surpreendente de Iggy Pop no papel de um dos “maus da fita”.
As paisagens do Oeste americano são filmadas com uma poesia metafísica que torna este filme muito belo e estranho.
(Maria José Goulão)
2 comentários:
a ver, a ver.
Onde é isso "o sótão"???
Dêem-me cultura, porra!!!
AB
Enviar um comentário