A figura está no centro, enquadrada pelo verde à esquerda e à direita. Como são assimétricos, os verdes, quebram a simetria. A mancha escura no chão contrabalança com a mancha escura de cima. Endireitei ligeiramente a imagem.
Se a quiseres publicar, está no tamanho exacto e com os níveis acertados e o sharpness certo. Se quiseres dar um título, sugiro "regresso a casa"; é umpouco neo-realista mas a realidade não ajuda."
in mail de FF
11 comentários:
FF, obrigado pelo teu trabalho, aprendi que não se pode ter tudo numa imagem, eu queria deixar o oiro do hotel para sublinhar o contraste mas ficava tudo disperso, assim com o crop quadrado tudo converge para os passos em direcção aos portões metálicos e através do título decifra-se o montículo colorido como o abrigo neo-realista do sem abrigo realista.
Apenas uma outra hipótese de estudo para a imagem.
Manter o dourado das janelas do edifício poderá ser uma opção, contudo é um elemento demasiado forte da imagem, catalizando todas as atenções. É de facto difícil manter nesta imagem múltiplas leituras, entre a figura humana, o que lhe poderá servir de abrigo e o dourado do horizonte. Penso que resulta numa leitura mais genuína, menos artificial, ter como pontos de ancoragem do olhar a figura humana e o seu provável abrigo, abandonando uma forçada atracção pelo dourado do edifício. A minha proposta é porém de conservar aqui uma escala mais horizontal, desviando a figura para uma posição próxima de 1/3 em relação à altura e o montículo para uma posição próxima dos 2/3 em relação à altura; constituem ambos pontos de atracção do olhar. Esta opção permitia igualmente manter a linha dos candeeiros à esquerda que ajuda a orientar o olhar para o montículo, um dos pontos de interesse da imagem.
Ver imagem utilizando o link:
http://i142.photobucket.com/albums/r116/jpreis/Estudo1.jpg
Cada vez gosto mais deste blog. É pena a versão do zp ter ficado desfocada.
Ana
A imagem não está desfocada. Simplesmente foi utilizado na proposta de estudo um download "pirata" da minúscula imagem inicial do post. Esta, com apenas 200x150 pixels, não tem definição suficiente para o crop e dimensão apresentados.
(Uma correcção ao meu texto: onde se lê "..próxima de 1/3 em relação à altura..", ler "...próxima de 2/3 em relação à largura...")
A minha filha chama-lhe Náufrago, ao homem na foto (penso que pela barba muito longa, que entretanto cortou). Dorme nessa mesma traseira do hotel, rodeado da própria merda, de panos imundos, de restos de alimentos e outra panóplia indecifrável. Junto aos caixotes do lixo, vão os funcionários do Pingo Doce despejar alimentos fora de prazo, que recusam dar a quem os pede. Já os vi atirar carne e fruta para dentro dos contentores, que é seguidamente retirada com enorme esforço por quem a tinha antes pedido.
A realidade é tão absurda.
e assim, com o comentário da Maria, a foto toma uma dimensão tão "mais"
é mesmo, Maria
um abraço
cj:
A tua ideia do ouro "versus" negro da situação é brilhante. No conjunto, não resultou... Gostei muito da proposta de FF. Agrada-me mais a imagem "do quadrado" comparativamente à "dos terços" (parece-me ter mais impacto).
Gostei, igualmente, do comentário de Maria.
E...até ao grão!
Maria, sim é esse, o Náufrago, recolhe à jangada depois de se "abastecer" no domingo de páscoa.
Na foto original
(ver http://i17.photobucket.com/albums/b71/cjulio/domingo_pascoa1a.jpg) estão os caixotes, à direita, e à esquerda, uma casa abandonada com as portas e janelas tapadas a tijolo à prova de sem-abrigos.
A questão é se a linguagem fotográfica comporta tanta informação legível numa única imagem e, em caso negativo, o que cortar e como enquadrar e compor o que fica.
Quanto ao estudo do zp prefiro o formnato do FF e coisas com grão.
cj
O mundo inteiro cabe dentro de uma imagem. Ainda que o fino apuro técnico se esforce por depurar em cortes e recortes, acho que fica sempre uma ponta solta que nos liga - a cada um, individualmente - a tudo o resto. E penso que não o digo por, no caso concreto desta fotografia, conhecer o cenário e o personagem. Estou - como direi? - contaminada por uma certa dose de informação, mas não creio que isso embote a imaginação ao olhar, ao ponto de uma dormência que se deixe integralmente conduzir pelo olhar de quem fotografou.
um abraço ao colectivo do pescada nº 5.
O Náufrago tem uma vassoura. Azul. A realidade é poética quando se ri da Razão.
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