
o vermelho das paredes ainda ficou, a casa do bairro ainda ficou.
lembrava-me —esta imagem lembra-me— que costumava estar aqui mais alguém.
vou fazer o teu prato preferido —mas sem ingredientes— porque não estás.
reciclei a prateleira que deixaste vazia, coloquei-a por baixo dos pés, transformada em sola fiquei mais alto.
legenda –não ler– porque é óbvia: se já não guardo o cheiro e já não sinto o toque da pele, rasgo o retrato.
mas, se uma ideia de ti está em cada gesto meu, rasgo o retrato.
5 comentários:
Bem me parecia que também sabias escrever...
Gostei... Num lugar onde há tanta memória, por vezes, interessamo-nos em encontrar os espaços onde se apagam as reminiscências.
obrigado zp.
por último diverti-me com o carimbo a apagar o postal que só deixou sombra... parece que, por acaso, tinhas razão fs ;)
Prosa e imagem final, excelentes!!!
Por acaso tenho sempre razão. Até meto nojo.
Enviar um comentário