
1. Na imagem apresenta-se um exercício para a construção e disposição de uma prateleira de estante. Representa a construção da memória individual ou pelo menos consubstancia a necessidade de mantermos palpáveis e catalogados os objectos que vão contribuindo para o nosso conhecimento. Estes estão perfeitamente alinhados, agrupados, facilmente acessíveis, como provavelmente gostaríamos que estivesse a nossa própria memória. Em qualquer momento o esquecimento poderá ter rápido acesso à informação. São livros que já usámos, por vezes resquícios arqueológicos nos quais já não encontramos continuidade com o presente, mas também livros que quereremos ler, aguardando pacientemente numa fila de espera, já escolhidos e não lidos. Mas a estante é igualmente feita de objectos desprovidos de aparente informação, inverosímeis ou do acaso, como um cinzeiro ou um qualquer biblot, á semelhança da nossa memória, onde vagueiam pedaços sem imediato significado ou sentido.

2. Se a biblioteca é, com a sua obsessão coleccionadora e o seu metódico espírito catalogador e organizador, uma representação da memória colectiva, ela só se realiza, contudo, no confronto do texto – o escritor, por vezes, já se diluiu no esquecimento do tempo ou no labirinto das estantes – com o leitor. A relação que se estabelece é permeada pelo conhecimento e experiências subjectivas deste, que se comparam, contradizem ou sobrepõem ao texto. Mas é essa relação que permite que o espaço da biblioteca, não só enquanto depositário de fragmentos do passado mas também como lugar de reconstrução da memória colectiva do presente, contribua para que tenhamos uma sociedade do conhecimento e não do esquecimento. A biblioteca quebra assim a descontinuidade do tempo e do espaço, realizando a metamorfose do passado no presente, mas é o leitor o principal sujeito dessa acção.

3. As pinturas morrem, as esculturas morrem (Duchamp), os livros morrem, como morrem os homens que os criaram. Morrem de forma lenta e discreta, de cada vez que acabam de ser vistos, de ser lidos, ou guardados nos depósitos dos museus ou das bibliotecas. Por isso temos necessidade de conservar a sua memória, construindo lugares de culto onde a poderemos sempre revisitar, como construímos cemitérios e depositamos lápides para celebrar a memória dos homens que morrem.
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