Fiz um número da "Purificação" em que não havia artigo que não falassse da
radioactividade. Nem mesmo desta vez tive chatices. Mas que não fosse lido não
era verdade; lá ler liam, mas para certas coisas tinha-se criado uma espécie de
hábito, e mesmo que se escrevesse que o fim do género humano estava próximo, já
ninguém ligava.
E depois já não sabia para onde olhar e fitei o céu. Era um dia de princípio da
primavera e por cima das casas da periferia o céu estava luminoso, azul, límpido,
mas observando bem via nele como que uma sombra, um velo como numa fotografia
amarelecida, como os sinais que se vêem através de uma lente espectroscópica.
Nem a primavera limparia o céu.
(A Nuvem de Smog, 1959, Italo Calvino)
primavera e por cima das casas da periferia o céu estava luminoso, azul, límpido,
mas observando bem via nele como que uma sombra, um velo como numa fotografia
amarelecida, como os sinais que se vêem através de uma lente espectroscópica.
Nem a primavera limparia o céu.
(A Nuvem de Smog, 1959, Italo Calvino)
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